Todo nos devemos ser descendentes de um ancestral que foi o primeiro ser humano a desenvolver o “gene do pessimismo”. 
O gene do pessimismo foi uma importante evolução genética, porque gera um individuo sempre assustado, sempre atento ao pior que pode acontecer na vida, e sempre disposto a correr, no primeiro sinal de perigo.
Os seus colegas mais otimistas é que foram comidos pelos leões.
O gene do pessimismo ainda não foi identificado, é somente uma invenção minha, mas acho que um dia será descoberto. Ela irá explicar muita coisa que acontece no mundo e no brasil.
Ela explica por exemplo porque noticias pessimistas vendem jornal. É que nos leitores somos presas fáceis de nossos genes pessimista. Compramos manchetes que nos assustam.
Jornalistas que visam ser promovidos e obter maiores salários para si, há muito tempo descobriram esta peculiaridade humana . Entre um boa noticia e uma má noticia, sai aquele mais nos atrai e a qual prestamos mais atenção.
Por isto economistas pessimistas tem mais espaço nos nossos jornais e na nossos s programas de televisão do que economistas otimistas.
A única vez que fui capa de revista, foi quando eu previ o que hoje chamamos a década perdida. “Kanitz prevê 7 anos de recessão”.
Quando publiquei O Brasil Que Dá Certo, e fui praticamente o único a prever o sucesso do Plano Real, não fui capa e muito pouco entrevistado. Quando lancei o livro em inglês em Nova York, procurei um amigo correspondente de lá para noticiar o evento: “Negativo, você é o único que acredita no sucesso do Plano Real”. Na minha opinião mais razão para ser entrevistado, se não fosse as boas noticias que eu traria para o povo brasileiro.
Esta censura não é somente brasileira. Todo jornalista americano aprende na faculdade que “Good News is no News” , que aparece 38.000 vezes na Google contra 3.000 a frase contraria.
Nas minhas palestras sobre o tema O Brasil Que Dá Certo, fui seguido uma vez pelo Arnaldo Jabor com seu discurso fatalista prevendo que o Brasil jamais dará certo.
Argumenta que somos condenados pelo patrimonialismo português, que o fracasso estava no nosso sangue, e assim por diante. Para a minha grande surpresa, a platéia simplesmente adorou e no final aplaudiram de pé. Êle destruiu o clima de otimismo anterior, e recebeu palmas dez vezes mais intensas.
Não sei responder o porque mas tenho uma opinião. Se um grande intelectual prevê que o Brasil jamais dará certo, não precisamos individualmente nos preocupar. Poderemos justificar o nosso fracasso pessoal, nossa mediocridade individual, como sendo inevitável, é nosso destino. “Não preciso melhorar, a culpa não é minha, a culpa é do Brasil, a culpa é dos portugueses”.
Quando alguém mostra que temos tudo para dar certo, e em 1995 eu estava correto, isto incomoda muita gente, porque obriga as pessoas a se mexerem e a se auto avaliarem. Se você não der certo num pais que dá certo, a culpa é só sua.
Quem você prefere ouvir ? Quem uma nação deveria ouvir ? Onde estão os poetas que antes nos inspiravam e motivavam, onde estão os filósofos que nos mostravam a essência do que está ocorrendo, onde estão os padres com seus sermões edificantes, onde estão os visionários que nos mostravam o caminho?
Eles estão presentes como sempre estiveram, mas hoje estão sem platéia, excluídos pela industria do pessimismo.
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